Quem somos

É imensamente gratificante ampliar os horizontes e compreender que as artes populares do Brasil se revelam com a mesma diversidade, beleza natural, vigor e criatividade como sua fauna e flora. É integrada a esta rica natureza, que a arte musical popular também expressa sua ampla multiplicidade, fazendo ressoar sua imensa força sensorial e mobilizadora. Essa vibrante energia cresce ainda mais quando se harmoniza com os cantos que se recriam com a poesia e outras artes que nos sensibiliza. Juntas, elas expressam as emoções que despertam sentimentos individuais e coletivos, estimulando e suprindo nossa necessidade de comunicação social. São nestas fluentes interações que o povo cria e cultiva seus expoentes da arte popular. É reconhecendo esta força criadora que gera tantos expoentes da cultura popular, que temos a imensa satisfação de realizar o meritório tributo ao grande violonista e compositor que foi o primeiro a criar obras para o violão solo brasileiro e um dos criadores da escola do violão popular brasileiro, constituindo-se em grande personagem que contribuiu de forma substancial para a formação da cultura popular brasileira. Eis algumas fontes inspiradoras que nos leva a lançar a Página oficial comemorando à fundação do Instituto de Arte Popular João Pernambuco.

Assim, com afinco e afeto viemos nos agregar para fortalecer a arte e o(a)s artistas populares, entrelaçando os elos que unem e revitalizam nossa cultura e nossas vidas.
De braços e portas abertas, desejamos boas-vindas com votos de cordiais saudações criativas.

___________________________________

João Pernambuco – Resumo Biográfico

João Teixeira Guimarães – João Pernambuco, nascido em Bebedouro de Jatobá no dia 2 de novembro de 1883, filho da rendeira Teresa Teixeira Guimarães e do ferreiro Manuel Teixeira Guimarães, que trabalhou na construção da Estrada de Ferro Paulo Afonso, inaugurada no mesmo ano de nascimento de João Pernambuco. A família Teixeira Guimarães era pobre, que além de João era composta por José, Manoel, Maria e Joana que nasceram e viveram em Bebedouro de Jatobá até 1895. Região original dos indígenas Pankararu, localidade que posteriormente passou a ser antiga Petrolândia. Município que foi submerso pela CHESF quando por ocasião da construção da Hidrelétrica que recebeu o nome de Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga, época em que João Pernambuco já era o maior proeminente da arte musical popular nascido em Bebedouro de Jatobá.

Aos 2 anos de idade, o pai de João feleceu e anos depois, sua mãe Teresa contraiu novo matrimônio com Eugênio Alves Mendes e deste casamento nasceram mais três filhos Pedro, João Elpídio (Joca) e Francisca. Em Bebedouro de Jatobá, João aos 10 anos de idade, além ter começado a dar os primeiros acordes no violão, trabalhava como ajudante em uma oficina de carro de boi.

Em 1895, com 12 anos de idade, João Teixeira Guimarães inicia sua trajetória do sertão para o litoral, quando a família mudou-se para Recife, passando a residir no bairro da Torre, onde seu padastro Eugênio começou a trabalhar. Para ajudar a numerosa família, João construiu um carrinho de mão e passou a trabalhar fazendo fretes nas feiras do bairro, no Mercado São José e arredores do Pátio São Pedro por onde seguiu aprendendo a tocar violão com os violeiros, Cirino da Gujurema, Mané do Riachão, entre outros. Aos 13 anos de idade, com parte do dinheiro que ganhava no trabalho de frete, João comprou um velho violão, que passou a ser seu amigo inseprável. Em 1904, já como ferreiro de profissão, conhecido como violonista e compositor por vocação nas rodas de violeiros e cantadores em Recife, João migrou para o Rio de Janeiro, onde já residiam os irmãos e irmãs José, Manoel, Maria e Joana. Na então Capital da República João seguiu desenvolvendo sua arte musical e temperando o aço trabalhando em uma fundição na Rua Frei Caneca no bairro da Lapa e residindo no mesmo bairo em uma pensão na Rua Riachuelo n° 268. O bairro da Lapa era o grande reduto cultural popular da noite no Rio de Janeiro, onde se realizam diversas saraus musicais. Alí, tanto com amigos de trabalho como nas rodas musicais, João contava frequentemente histórias sobre suas origens em Pernambuco e executava suas composições musicais com fortes raízes pernambucanas. Por esta razão passou a ser conhecido como João Pernambuco, sendo reconhecido como o primeiro músico a difundir a música pernambucana e nordestina, que posteriormente viria fazer imenso sucesso em todo Brasil.

Autor de mais de cem composições de diversos gêneros musicais, a obra de João Pernambuco tem fecundas raízes e frutos fecundados na cultura do sertão de Bebedouro de Jatobá e urbana de Recife, revelando-se como criador de uma escola do violão popular brasileiro e o primeiro músico a compor obras para violão solo no Brasil. João Pernambuco era um dos grandes expoentes do violão brasileiro ao lado dos amigos e também grandes violonistas Satiro Billar, Quincas Laranjeiras, Levino Albano da Conceição. Outro grande mérito de João Permabuco, consiste no fato dele ter sido um dos músicos baluartes que contribuiram efetivamente para a formação do repertório e da criação do que hoje conhecemos como Música Popular Brasileira.

Mesmo lendo e escrevendo com dificuldades, mas com sua forte e criativa intuição, soube descrever e compor desenhos melódicos, figuras rímicas que se movem pelos mais belos caminhos harmônicos como lindos poemas escritos em notas musicais. Por esta razão recebeu o título de Poeta do Violão.

João, foi também um grande visionário musical, pois sua técnica e arte de composição estava muito além do tempo em que viveu, compondo diversas obras que ainda revelam sua contemporâneidade. Entre tantas podemos destacar “Sonho de Magia”, “Caminho do Sertão”, “Pinheirada”, “Graúna”, “Reboliço”, “Dengoso”, “Interrogando”, além de “Sons de Carrilhões”, música inspirada nos ruídos emitidos pelos carrilhões de carro de boi que tanto João ouviu em sua cidade natal Bebedouro de Jatobá, composta em 1912, que este ano completa 110 anos e ainda ressoa com sua modernidade pelo mundo afora. “Sons de Carrilhões” até hoje, teve 80 gravações de diversos interpretes no Brasil e desde 1965 vem sendo gravada até os dias atuais em 17 países de 5 continentes (Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Colombia, Espanha, Estados Undidos, França, Japão, Inglaterra, Irlanda, Itália, Polônia, Russia, Suiça, antiga Techecoslovaquia, e Uruguai). Cabe ainda citar “Luar do Sertão”, que teve centenas de gravações realizadas por inúmeros intérpretes no Brasil e “Caboca de Caxangá”, grande sucesso nos carnavais do Rio de Janeiro e São Paulo, de 1913 até 1915, ambas em parceria com Catulo da Paixão Cearense.

Renomado como grande compositor e violonista, João Pernambuco com seu caráter agregador, formou diversos grupos musicais no Rio de Janeiro, entre eles, Troupe Sertaneja, Turunas Pernambucanos, sendo o mais famoso o Grupo Caxangá, que deu origem a formação do legendário Os Oito Batutas, junto com Pixinguimha e Donga, grupo que João Pernambuco integrou de 1919 a 1921.

Formação dos “Oito Batutas” a partir de 1919. Em pé da esquerda para direita: o primeiro não identificado, Pixinguinha, Luís Silva, Jacob Palmieri. Sentados da esquerda para direita: Otávio Viana (China), Nelson Alves, João Pernambuco, Raul Palmieri e Donga.

Em 1926, João Pernambuco iniciou suas primeiras gravações para o Selo Odeon e em 1931 para Columbia. Apesar de não possuir formação de teoria musical, João Pernambuco não lia partitura, nem cifra, era autodidata e com sua forte vocação e criatividade, tendo aprendido a tocar violão em Bebedouro de Jatobá, nas ruas de Recife e no Rio de Janeiro consagrou-se como grande expoente da arte musical do violão popular brasileiro. Por influência de admiradores, desde 1908, João Pernambuco passou a trabalhar na Prefeitura do Rio de Janeiro como calceteiro. A partir de 1929 passou a trabalhar como contínuo em um Almoxarifado da Prefeitura no Largo do Estácio, esquina com a Rua Machado Coelho e há muitos anos já lecionava violão na loja de instrumentos musicais O Cavaquinho de Ouro com seu conterrâneo Quincas Laranjeiras, natural de Olinda, criador do primeiro método para violão no Brasil. No Cavaquinho de Ouro, Quincas Laranjeiras lecionava baseado em seu método e João Pernambuco desenvolvia o ensino prático do violão.

Em 1931 passou a gravar para a Columbia e seguiu se apresentando na Rádio Mayrink Veiga. Posteriomente em 1932, Villa-Lobos assumiu a direção da SEMA – Superintendência de Educação Musical e Artística, instituição criada para desenvolver o ensino de música e canto orfeônico. Naquele ambiente inteiramente musical, em em ato inconcebível, Villa-Lobos transferiu

João Pernambuco para trabalhar como contínuo na SEMA.

Ato inconcebível, pois João Pernambuco, era reconhecido e aclamado como grandioso violonista, compositor e criador de uma escola do violão brasileiro, que há muitos anos lecionava violão junto com Quincas Laranjeiras na loja O Cavaquinho de Ouro. O sucesso de João Pernambuco com sua brilhante trajetória como violonista e compositor tinha tanto alcance e dimensão, que em 1929 recebeu a visita na loja O Cavaquinho de Ouro e tocou junto com o violonista Jaime Florencio (Meira), para o exímio violonista Augustin Barrios. Paraguaio radicado no Uruguai que estava realizando concertos pelo Brasil.

No entanto com tal ato depreciativo, o consagardo Mestre João Pernambuco passou a ver pessoas circularem com seus instrumento e ouvir música sem poder participar e contribuir com seus profundos conhecimentes para arte musical popular.

Entre outras, esta foi uma das maiores decepções vivenciadas pelo grande Mestre do Violão Popular Brasileiro, João Pernambuco. Mesmo sofrendo tal injustiça, João Pernambuco seguiu sua carreira de violonista e compositor, mas aos poucos começou a reduzir suas atividades. Desgostoso, em 1947, ano em que se comemorava os 100 anos de nascimento de Castro Alves, João Pernambuco compôs melodia para o poema “Canção do Vileiro”, sendo esta sua última composição, pois em seguida veio a falecer no dia 16 de outubro de 1947. Mas a obra de João Pernambuco não morreu e sempre irá ressoar. Tanto que após seu falecimento, suas obras com sua fecunda consistência, transcendeu o tempo e continuou tendo grande alcance e desdobramento.

Inúmeros músicos de renome registraram em disco diversas de suas composições, entre eles Dilermando Reis, Jacob do Bandolim, Baden Powell, Sebastião Tapajós, Turíbio Santos, Rafael Rabello, Leandro Carvalho, Caio Cezar Sitonio, Yamadu Ramos, Rogério Caetano, João Camareiro e tantos outros.

Quando por ocasião dos preparativos para a comemoração dos 100 anos de nascimento de João Pernambuco em 1983, através do Projeto Lúcio Rangel, a FUNARTE escolheu para o Concurso Nacional de Monografia de 1982, o tema Vida e Obra de João Pernambuco, sendo vencedora a obra “João Pernambuco – Arte de Um Povo” de autoria de José Leal. Livro lançado em 1983, integrado ao LP “Jão Pernambuco 100 Anos” interpretado pelo jovem grupo na época, Nó em Pingo D’Água, o consagrado pianista Antonio Adolfo e Show dirigido por Túlio Feliciano, baseado na pesquisa de José Leal, nas Salas FUNARTE do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Naquele mesmo ano, Nara Leão gravou em seu disco “Meu Samba Encabulado” a música “Brasileirinho” de João Pernambuco, com letra de José Leal. Em seguida foi gravado por diversos cantores e cantoras “Estrada do Sertão”, música de João Pernambuco e letra de Hermínio Bello de Carvalho.

O legado de João Pernambuco continua pulsando vivamente na arte musical popular brasileira e entre tantas homenagens de reconhecimento existem memoriais como a Rua João Pernambuco no bairro de Bangú no Rio de Janeiro, também na quadra 8 em Petrolândia e

a Avenida João Pernambuco no bairro Fernando Idalino em Petrolândia. Além disso foi criada a Escola Municipal de Arte João Pernambuco em Recife; foram instituidos o Festival de Choro João Pernambuco; O Dia do Choro João Pernambuco no Estado de Pernambuco.

Dando continuidade aos tributos feitos a João Perambuco, em 2021 foi fundado o Instituto de Arte Popular João Pernambuco em Recife, cuja diretoria é composta dos seguintes membros fundadores: Necy Nascimento, Presidente; Inácio França, Vice-Presidente; José Leal, Secretário Geral; Edineide Pontes, Diretora Administrativa e Financeira e Conselho Fiscal composto por Caio Cezar Sitonio, Marco César Brito e Daercio Pontes da Silva.

Entre os projetos que estão sendo realizados pelo Instituto de Arte Popular João Pernambuco para 2022, constam a edição do livro “Raízes e Frutos da Arte de João Pernambuco”, com rico material icnográfico original do albúm particular de João Pernambuco, cedido gentilmente em 1980 por João Elpídio Mendes Alves, irmão de João Pernambuco, ao autor José Leal. Ainda este ano, será produzido um CD com mesmo título do livro, com obras de João Pernambuco, interpretado pelo quarteto de violões “Coletivo Contratempo” e convidados especiais, que trazem novos arranjos revelando a contemporâneidade das músicas de João Pernambuco e novas versões de músicas que receberam recentemente letras como “Pinheirada”, “Sonho de Magia”, “Graúna” e “Sons de Carrilhões”. Complementando, será lançado o livro infanto-juvenil “Joãozinho – Com Seu Violão Pelos Caminhos -”, ilustrado por Uendell Rocha. Este livro é também de autoria de José Leal, Secretário Geral do Instituto de Arte Popular João Perambuco, que entre outras obras, é autor da única biografia sobre “João Pernambuco – Arte de Um Povo”, editado pela FUNARTE em 1983.

Agora com a nova obra “Raízes e Frutos da Arte de João Pernambuco”, o autor José Leal vem nos revelar novas e maiores informações, com amplitude e detalhamento atualizados através das pesquisas que vem realizando nos últimos 56 anos sobre o Mestre João Pernambuco. Aos interessados em conhecer mais profundamente a vida e obra de João Pernambuco, recomendamos que se associem ao Instituto de Arte Popular João Pernambuco, contribuindo assim para o fortalecimento da arte popular brasileira e obtendo o bonus para pariticipar de nossos eventos, bem como para aquisição de nossas edições com preços especiais

Também fazem parte de nossas realizações o Festival “I° MusicArte João Pernambuco”, integrado com a Exposição “João Pernambuco do Sertão ao Litoral”, além da confecção do modelo de Violão João Pernambuco criado por Luthier Marciano; será ainda instituído o “Prêmio de Honra ao Mérito João Pernambuco” a ser concedido às realizações de substancial importância para a arte popular; bem como realizar o projeto “Memorial João Pernambuco”, que consiste no erguimento da estátua de João Pernambuco na região de sua cidade natal.

Assim, seguiremos realizando projetos de suma importância e constribuindo efetivamente para o engrandecimento da arte popular brasileira, porque estamos conscientes de que:

A vida sem AR-TE sufoca! Instituto de Arte Popular

João Pernambuco

Todo o conteúdo do Site é de propriedade reservada do Instituto de Arte Popular João Pernambuco, sendo proibida qualquer reprodução no todo ou em parte.